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Até que o CNPJ nos separe! (AP-InCo)


Nos meus longos anos de vida profissional, atendendo empresas varejistas, em sua grande maioria empresas familiares, nas quais os sócios são também cônjuges, as oportunidades de encontrar casais que criam negócios estáveis são raras. Se as empresas compostas por conhecidos, parceiros, amigos ou parentes, já são tempestuosas, entre cônjuges, essas tempestades transformam-se em furações Classe 5.

A razão dessa gênese é muito simples, ou, pelo menos, deveria ser vista desta forma. Cônjuges são naturalmente seres multifuncionais que, dentro de um relacionamento tido como saudável, se alternam no cumprimento de funções destinadas - do início ao fim - à manutenção do relacionamento. Dos afazeres domésticos aos cuidados com os filhos, quando houver, é preciso, no mínimo, delegar o fazimento de inúmeras tarefas operacionais, gerenciais e estratégicas. É caros amigos, manter o "clima organizacional" do casamento não é uma tarefa fácil. Estabelecer uma "governança" para administrar essas múltiplas tarefas e, no final do expediente, bater o ponto com o mesmo sorriso, da primeira hora, no rosto; de mãos dadas e com desejo de, juntos, admirar mais um pôr do sol; é trabalho para o Super-Homem e a Mulher Maravilha. 

Agora, vamos fazer um exercício de cálculo no "estudo dos fractais" e colocar na lista de afazeres diários, concomitantemente juntos e anexados, as tarefas na gestão de um negócio. O resultado dessa operação é o caos. O caos em ambos os lados da fronteira entre Casamento e Sociedade. Adeus "clima" de romance e organizacional. Lá se vai o "laissez-faire" e o dia-a-dia se torna um inferno. Focando, sempre, no lado positivo de tudo, lembro de uma frase de Galileu Galilei que diz que "A matemática é o alfabeto com o qual Deus escreveu o Universo." Assim, como "em briga de marido e mulher, consultor não mete a colher", vamos deixar tudo nas mãos de Deus, ou melhor da Matemática. 

Recuperando nos arquivos da memória meus Relatórios de Consultoria, separei quatro operações matemáticas, digo recomendações, que utilizei, e continuo utilizando, largamente para dar um direcionamento sustentável aos negócios de "Casais 20" que se transformaram, do dia para a noite, em "Senhores e Senhoras Smith". 

1. Divisão: Marido e Mulher, Negócios à parte! 
É impossível separar os Cônjuges dos Sócios, mas essas personalidades podem e devem coabitar - no sentido de convivência pacífica - o mesmo corpo. Coabitar é a chave para a solução deste problema, ou melhor: de todos os problemas na relação societária entre cônjuges. Os espaços devem ser separados porque são completamente diferentes. As relações na empresa devem ser extremamente profissionais, o oposto das relações conjugais. a intimidade deverá ser substituída pela formalidade. A divisão de tarefas e a disciplina são a chave para que um sócio não invada o espaço e não desautorize o outro no cumprimento das tarefas previamente definidas para cada um. 

2. Subtração: Tire as Diferenças Profissionais do Campo Pessoal 
Diversidade é o combustível da inovação em uma empresa. uma sociedade deve agregar valor através da diversidade de opiniões dos sócios. No entanto, esta diversidade, o embate de ideias deve ser mantido no nível profissional. Subtraia do saudável brainstorm o perfil marido-mulher, para que os sócios não ultrapassem os limites do razoável, levando "marmitex" de problemas para casa. 

3. Adição: Preserve as Pessoas 
Empreendedores, na maioria das vezes, são "guerreiros", a força e o impeto de uma ideia sendo colocada em prática não conhece barreiras. Está na hora de somar, adicionar uma "pitada" de romance, de relacionamento; de humanizar as planilhas de projeções de faturamento. Lembrar que o objetivo da empresa é garantir o bem-estar dos sócios e de todos os colaboradores. Se isto não acontece, o melhor a fazer é somar mais um registro nas CTPS dos sócios. As razões que promoveram a união dos cônjuges devem ser as razões para preservar o contínuo reabastecimento de energia gasta durante o expediente, para somar mais um dia como Sócios e, principalmente, como Casal. 

4. Multiplicação: Tudo multiplicado por dois 
O sucesso nos negócios envolve competência, dedicação e outros fatores que não se pode prever ou administrar. As dificuldades no percurso são inevitáveis. Por isso Sócios-Casais devem ter em mente que tudo o que fazem, fazem multiplicado por dois. Uma decisão errada afeta os dois; um acerto deve gerar resultados para os dois. Aqui não existe "indivíduos" , mas uma Equipe, um Time, Piloto e Navegador num "Rally de Regularidade" chamado Empresa. 

Para finalizar, lembro que Galileu foi condenado pela igreja e que se conselho fosse bom não era dado, mas vendido. Então deixo tudo nas mãos dos Sócios, ou nas asas dos "Pombinhos", para que pesem e ponderem, de forma pragmática, as razões para estarem juntos, seja como Sócios ou como Cônjuges. 


Vital Sousa 
integrum Consultoria

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