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O Efeito "Stoik Mujic"



“Enquanto se descansa, se carrega pedras”: este provérbio português é o tipo de frase feita que não sai da boca de um grupo de pessoas, entre as quais me incluo: os obstinados pelo que fazem, pelo trabalho. Estas pessoas são do tipo que nunca “desligam”. Não importa onde estejam, o que estejam fazendo; eles estão sempre “ligados”.

Numa sessão de vídeo caseira, com pipoca e guaraná, não seria diferente. Na última, vimos o filme “A Ponte dos Espiões”. “Bridge of Spies” em Inglês. Embora eu prefira, por razões que o leitor poderá ver no filme, o título em Alemão: “Der Unterhändler” que em língua tupiniquim que dizer “O Negociador”. É um excelente filme para ser usado em treinamentos sobre Negociação, com certeza usarei, mas o que mais me chamou a atenção foi a definição dada ao protagonista, interpretado por Tom Hanks. Um advogado bem sucedido de uma Empresa de Seguros. Vamos à uma breve sinopse do filme e voltamos para tratar do que interesse neste artigo, isto é: o efeito “Stoik Mujic”.

No filme, James Donavan (Tom Hanks) por questões políticas, é indicado para defender, num julgamento de cartas marcadas, um espião soviético que fora preso em plena guerra fria. O Governo dos EUA quer dar o exemplo de um devido processo legal, para mostrar o funcionamento da democracia americana, dando a impressão de garantir o pleno direito de defesa do Espião. Donavan sabe que isso lhe trará problemas. Até mesmo sua mulher e seu filho são contra a que ele aceite o caso. A empresa onde ele trabalha diz que seria bom para o país que Donavan fizesse a defesa. Donavan aceita. Neste ponto do filme permito-me, já pensando na turma dos “ligados”, atribuir ao Donavam sua primeira “loucura”.

Em seguida Donavam vai falar com o juiz do caso, de quem ouve que já estava tudo decidido. Em nome de uma “Razão de Estado” para defender o American Way of Life. Por outro lado, na empresa de advocacia, questionam a sua dedicação, uma vez que ele está indo “fundo demais”. O Julgamento é realizado e o júri condena o espião por cinco delitos, com o aplauso do juiz. Donavan decide, recorrer à Suprema Corte. Com isso, é vaiado nas ruas; sua casa é atingida por disparos; sua família se volta contra ele; mas mesmo assim Donavan vai para a Suprema Corte falar dos direitos do Espião e das garantias que foram violadas. Por um placar bem apertado (5x4), a Corte nega o recurso. Donavan chega em casa e seu filho de 10 anos lhe pergunta: “Por que você está defendendo um comunista? Você é comunista”? E Donavan responde: “Apenas estou fazendo meu trabalho”. Neste ponto, volto a interferir na narração, Donavam já pode ser considerado totalmente insano pelos seus familiares, colegas de trabalho e pela sociedade, simplesmente, por “fazer o seu trabalho”, assim como os “ligados” que constantemente são chamados de “loucos”.

Com a condenação, Donavam diz que recorrerá. E que não desistirá, contra tudo e contra todos. Então, em uma visita ao Espião, este lhe conta uma história da sua infância: “- quando menino, na Rússia, seu pai tinha um amigo sobre quem lhe dizia: preste atenção nesse homem. O homem no seu entender de criança, não tinha nada de especial. Mas um dia agentes invadiram sua casa, bateram na sua mãe, no seu pai e no amigo que lá estava. Este, cada vez que caía surrado e chutado, levantava. E novamente lhe batiam. Caía e levantava. Até que pararam de bater. Por isso sobreviveu: disse o Espião. Concluindo a história o Espião disse que Donavan lembrava esse amigo de seu pai. E disse porquê: o amigo de seu pai, era um Stoik Mujic; um homem que fica em pé; um homem estoico, que apanha, mas não cai. Aqui, finalizando a sinópse, as semelhanças do Donavam com a “Turma dos Loucos” se estabelece com uma clareza cristalina. Sua maior “loucura” é acreditar em algo que quase ninguém mais acredita... Até que se torne uma realidade.

No resto do filme Donavam viaja para a Alemanha Oriental, em plena construção do Muro de Berlim, quando as pessoas eram sumariamente fuziladas, simplesmente por quererem voltar para casa. A viagem deve-se a uma oportunidade para negociar a troca do Espião por um Piloto americano e confirma categoricamente a definição de “Stoik Mujic” dada ao Advogado. “Stoik Mujic”: este é o nosso ponto de retorno ao artigo. Inicialmente, vejamos algumas definições de “estoico” e/ou “estoicismo”.

No Michaelis, entre outras acepções, encontramos para “estoicismo” as seguintes: “sistema filosófico que aconselha a indiferença e o desprezo pelos males físicos e morais; rigidez de princípios; austeridade”. Para “estoico” temos: “homem impassível perante a desgraça ou a adversidade”. Estas definições bem poderiam descrever a “Turma dos Loucos”; ou o “Espírito do Empreendedorismo”; ou, ainda, o “Espirito dos Verdadeiros Empreendedores”. Homem que nunca desistem de seus sonhos. Empreendedores com um Perfil único que não aceitam, de forma definitiva, o status quo do mundo que o cerca. Para eles Empreender é, necessariamente, construir uma nova realidade, para si e para o mundo. O sucesso nem sempre ou quase nunca é o seu principal objetivo. Invariavelmente é um “Homem de Princípios”, não de ideias. Ideias as tem aos milhares, mas pode deixá-las de lado em nome dos princípios, dos seus valores.

Caminhando para a conclusão deste artigo, podemos dizer que o filme “A Ponte dos Espiões” trata, basicamente, de Princípios. Princípios morais, éticos e legais. Da mesma forma podemos redefinir a expressão “Stoik Mujic” como “Homem de Princípios”. No atual cenário político e econômico no Brasil, esta redefinição poderia, facilmente, ser substituída por “Homem Louco”. Um “Louco” que faz o seu trabalho sem apelar para o “jeitinho brasileiro" e sem “levar vantagem em tudo... Certo?!" Quem, na posição de Empreendedor, nunca esteve diante de uma situação que, para ver as coisas acontecendo, precisava “molhar a mão” de alguém e não o fez, que atire a primeira pedra. Antes de finalizar quero fazer um “Elogio à Loucura”, ao “Efeito Stoik Mujic” e a todos, Empreendedores ou não, que não se deixam dobrar pelas adversidades.

Finalmente, o filme “A Ponte dos Espiões” e este Artigo são elogios aos Princípios, mas se você está interessado em sucesso, sucesso rápido, recomendo outro filme: “O Lobo de Wall Street” e lembro de uma citação de Einstein: 

“Não tentes ser bem sucedido, tenta antes ser um homem de valor.”

Leiam o Artigo, vejam OS Filmes e façam suas escolhas!!!


Vital Sousa
Integrum Consultoria

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