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Metas Difíceis

Para ser coerente com minha posição de empreendedor e com o que tenho dito, postado e praticado sobre o tema, não poderia me alongar na análise deste artigo de Steve Pavlina, que fala sobre as diferentes perspectivas que podemos usar para avaliar a dificuldade de uma meta e refletir sobre nosso próprio potencial de alcançá-la. Este é um daqueles momentos que lemos o texto e pensamos: concordo em grau, gênero e número. E concordo mesmo. Por isso, sem mais considerações, vou "colar" o artigo na íntegra para a reflexão de cada um dos leitores. 
Vital Sousa
integrum Consultoria


Como alcançar metas difíceis?

por Steve Pavlin
Algumas metas demonstram ser mais difíceis do que inicialmente imaginado. Talvez você tenha tentado todas as formas fáceis e intuitivas para chegar no resultado almejado, mas nada parece funcionar e o caminho adiante parece ser tortuoso demais para que você continue de bom grado.
Em alguns casos, você precisa se permitir falhar inúmeras vezes para encontrar uma forma que funcione para que você alcance a meta. Um dos exemplos mais famosos que conhecemos é Thomas Edison e seus experimentos para finalmente criar a primeira lâmpada elétrica. Edison falhou mais de 1000 vezes antes de descobrir a combinação certa de fatores que faria com que uma lâmpada realmente funcionasse como imaginado por ele. Isso é válido para algumas metas em que tentativa e erro têm um papel significativo na busca do resultado, mas nem sempre é o caso.
Para certas metas, a dificuldade está no tortuoso caminho a ser seguido até que um resultado ou uma performance satisfatória possa ser notada. Esportes e artes são bons exemplos. Tocar bem piano não é uma questão de tentativa e erro, mas sim de prática. Quem não está disposto a tocar mal e não ser capaz de “agradar” por um bom tempo não consegue passar pelo gargalo do aprendizado e desiste cedo demais.
Em outros casos, a dificuldade não está nem nas tentativas e erro, nem na prática, mas sim nas peculiaridades dos desafios. Alguns desafios são realmente difíceis, incômodos, dolorosos (como no caso de treinamento físico) ou requerem boa dose de persistência, determinação e força de vontade.
É importante então definir qual é o tipo de dificuldade da meta que você está tentando alcançar. Entender o tipo de dificuldade o ajudará a ver sua meta com mais clareza, compreendendo-a e aceitando finalmente o fato de que o caminho não será fácil.
Se você não puder “apaixonar-se” pelo caminho, aprendendo a ter gosto pelo próprio processo de conquista da meta, você dificilmente conseguirá sobreviver a qualquer meta que não seja realmente fácil – e poucas são!
É muito comum as pessoas reclamarem da dificuldade lançando mão de clichés batidos como “ah, mas não é fácil, né!” quando falamos sobre alcançar ou desenvolver algo cuja dificuldade é inerente. Essas pessoas são perdedores por natureza… Nada na vida é fácil – e por que deveria ser? A dificuldade separa os vencedores dos perdedores e dá aos primeiros uma vantagem competitiva. Tudo de bom no mundo pertence aos vencedores, enquanto aos perdedores sobra reclamar que não é fácil. Que bom que não é fácil! Sobra mais pra quem está disposto a enfrentar a dificuldade!
Conversa fiada à parte, alcançar uma meta difícil é em primeiro lugar um jogo mental. Se difícil para você é sinônimo de impossível, sinto informar que você fará parte do grupo dos perdedores para o resto da vida. Para passar para o lado dos vencedores, é preciso tomar gosto pela dificuldade e se despojar a passar pelo que for preciso para conquistar o que você deseja.
Evidentemente, existem outros fatores que se aplicam quando o assunto é o sucesso de uma meta, como organizar-se para percorrer o caminho necessário, planejar como e quando esse caminho será percorrido e de fato colocar em prática no dia-a-dia esse plano. Contudo, sem a postura mental correta que enxerga possibilidade de sucesso em uma meta complexa ou difícil, torna-se realmente impossível conquistá-la. O fracasso já começa com a própria postura de achar que a meta é muito difícil e portanto, “deve” ser impossível alcançá-la, mesmo que essa opinião seja apenas para você, ou seja, você acredita que “os outros” podem até conseguir, mas você não consegue, o que é basicamente um problema de autoconfiança e portanto, irreal.
Vale mencionar, entretanto, que a permissividade da autoajuda não é positiva em alguns casos. Há metas que não são pra “todo mundo”. Tem coisas que realmente são “impossíveis” para algumas pessoas e isso não é questão de autoconfianca, simplesmente de bom senso, como uma mulher de 30 anos que de repente sonha em se tornar bailarina profissional quando ela nunca dançou balé na vida. Tem coisas que a idade, as condições financeiras ou as circunstâncias criam dificuldades intransponíveis. É preciso bom senso para definir metas. Aquele que sonha com coisas impossíveis não é um vencedor sonhador, como a autoajuda às vezes pinta, mas apenas um tolo sem noção.
O que você quer conquistar, por mais difícil que seja, precisa ser “conquistável” dentro de suas circunstâncias de vida. Evite cair na armadilha do “tudo é possivel” ou repetir clichés como “ele não sabia que era impossível, foi lá e fez”. Um dos exemplos mais repetidos junto desses clichés é a quebra do record de corrida de 1 milha em 4 minutos por Roger Bannister em 1954. Autores gostam de contar a história do homem que conseguiu quebrar esse record quando todos anteriormente acreditavam que correr 1 milha em menos de 4 minutos era impossível. Agora, contar essa história associada com um “tudo é possível para qualquer um” é enganoso. Roger Bannister era corredor profissional, não um sem noção qualquer que chegou “do nada” e correu, quebrando records.
O que isso significa é que se você não é “da área”, conquistar algo que requer extrema prática, décadas de treinamento ou circunstâncias inexistentes em sua vida, é realmente impossível. Se você não é nadador profissional, tem 40 anos de idade e sonha em se tornar um nadador olímpico e bater os records de Michael Phelps, você é apenas um “sem noção”. Esse exemplo é óbvio e duvido que alguém mentalmente são tenha esse sonho, mas já vi muita gente igualmente sem noção tendo sonhos cujo obviedade da impossiblidade não é tão evidente. O resultado é a frustração constante quando a pessoa vê ao longo do tempo que seus sonhos simplesmente não se realizam.
Botar os pés no chão, portanto, é o primeiro passo. O segundo é abraçar a dificuldade e deixar de esperar que as coisas sejam fáceis. Veja bem, tudo o que é realmente fácil está abarrotado de perdedores competindo por um espaço ao sol. Essa multidão dilui os benefícios que podem ser obtidos da meta e reduzem a experiência da conquista. Quanto mais difícil, porém, menos gente estará competindo pelos benefícios e o efeito na realidade acaba sendo o contrário. É mais fácil percorrer o caminho difícil quando você simplesmente aceita a dificuldade do que percorrer o caminho mais fácil e ter que se acotovelar com toda a multidão que está fazendo o mesmo.
Lembre-se: o maior problema com uma meta difícil é a sua própria resistência contra ela. A sua percepção define a sua capacidade de atingir o resultado. Mude sua percepção e você pode mudar a sua vida. Aí você pergunta, mas então, como eu mudo a minha percepção e eu digo pra você: essa pergunta não tem resposta certa! Cada um muda a própria percepção das coisas de acordo com fatores extremamente pessoais e diferentes uns dos outros. O que eu estou falando aqui pra você já pode fazer com que você mude sua percepção por se deixar cair a ficha de que você não precisa esperar que as coisas sejam fáceis e pode abraçar a dificuldade. Para outras pessoas, isso pode não ser suficiente para que realmente haja uma mudança significativa. De qualquer forma, mudança de postura mental já é outro assunto em si, mas evidentemente, é possível já que é apenas uma questão de mudar o que você acredita e como você enxerga o mundo. Não que seja fácil (não é), mas esse é o tipo de mudança que fica muito difícil alguém te ajudar, pois cada caso é um caso. Só mesmo você pode identificar onde estão os seus gargalos (bloqueios) e conceber como você pode estimular uma mudança. Mãos à obra!

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